Médica cirurgiã oncológica explicando opções de cirurgia para paciente com câncer operável
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Quando recebo no consultório uma pessoa em busca de solução para um diagnóstico de câncer, uma das dúvidas mais comuns é: o câncer é operável? Essa resposta depende de vários fatores e, como alguém que acompanha pacientes em diferentes etapas, vi de perto como a decisão por cirurgia envolve tanto critérios técnicos quanto humanos.

O que é câncer operável?

Entendendo o que torna um câncer operável, percebo que existe muita expectativa. Câncer operável é aquele em que a remoção cirúrgica do tumor pode trazer chances reais de cura, principalmente se o diagnóstico for precoce e o tumor estiver restrito ao órgão de origem, sem invadir estruturas vitais ou apresentar metástases distantes.

Apesar de, muitas vezes, a cirurgia ter o objetivo de curar, ela também pode ser indicada em casos mais avançados. Nesses momentos, seu papel é aliviar sintomas, como dores, sangramentos ou obstruções, melhorando a qualidade de vida e permitindo que a pessoa volte a atividades simples do dia a dia.

A definição de operabilidade vai além do estágio do tumor: ela leva em conta cada paciente como um todo.

Critérios para indicação cirúrgica

Na minha experiência, a decisão de operar um câncer exige uma avaliação detalhada, tanto do tumor quanto da própria pessoa. Os principais critérios são:

  • Tipo histológico do tumor: Alguns tipos crescem lentamente e são mais localizados, outros são infiltrativos.
  • Tamanho do tumor: Tumores pequenos tendem a ser mais fáceis de retirar completamente.
  • Localização: Se o tumor está em uma área acessível cirurgicamente ou em contato com órgãos vitais.
  • Estadiamento: Avaliação se há ou não disseminação linfonodal ou metastática.
  • Condições clínicas do paciente: Idade, doenças associadas (cardíacas, pulmonares, diabetes), status funcional e expectativa de recuperação.
  • Possibilidade de ressecar o tumor com margens livres: Importante para alcançar cura.

Outro aspecto fundamental é entender os riscos envolvidos. Nem sempre um paciente com tumor removível terá indicação para cirurgia se houver alto risco de complicações, algo que avalio com atenção em idosos, pessoas muito debilitadas ou com comorbidades graves.

Exames essenciais na avaliação do câncer operável

O processo de indicação cirúrgica passa obrigatoriamente por um conjunto de exames que, juntos, esclarecem o diagnóstico e o estágio do câncer. Também ajudam a prever possíveis complicações e o comportamento do tumor. Os principais exames que solicito são:

  • Exames de sangue: Incluem marcadores tumorais, hemograma e função de órgãos vitais.
  • Exames de imagem: Radiografias, ultrassons, tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-scan detalham o tamanho, localização e extensão do tumor.
  • Biópsia: Essencial para confirmar o diagnóstico e determinar o tipo do câncer. Muitas vezes esse procedimento é realizado durante endoscopia ou guiado por imagem.
  • Exames de urina: Úteis para avaliar função renal nos tumores urológicos ou para preparação pré-operatória.
  • Exames cardiopulmonares: Radiografia do tórax e eletrocardiograma antes da cirurgia, principalmente em pessoas mais idosas.

Considero fundamental explicar de forma clara cada exame solicitado, assim o paciente entende a importância de cada etapa do preparo cirúrgico.

Quando o câncer é considerado inoperável?

Há situações em que a cirurgia não é recomendada. Isso pode acontecer se o tumor estiver em local de difícil acesso ou se envolver estruturas tão importantes que a remoção resultaria em grande perda de função ou mesmo risco de vida. Um exemplo: tumores muito próximos do tronco cerebral ou grandes vasos sanguíneos.

Tumores que já apresentam metástase à distância normalmente não são considerados operáveis de forma curativa. Nesses casos, opta-se por tratamentos como quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia, buscando controlar a doença e oferecer o máximo de conforto.

Segundo informações atualizadas sobre câncer no Brasil, o diagnóstico precoce ainda é a principal forma de garantir que um tumor seja operável (diagnóstico precoce do câncer).

Cirurgia em câncer metastático: quando é possível?

Quando falo sobre metástase, normalmente o objetivo do tratamento muda. Em casos selecionados, como metástases isoladas no fígado ou pulmão, discutir cirurgia com a equipe multidisciplinar pode ser útil. Nesses cenários, o foco não é mais a cura, mas sim estender a sobrevida, preparar o organismo para outros tratamentos ou aliviar sintomas.

A cirurgia paliativa pode permitir que outras modalidades terapêuticas, como quimioterapia, tenham maior efeito, ao reduzir a carga tumoral total.

Objetivos da cirurgia oncológica

Aprendi que a cirurgia oncológica pode assumir diferentes papéis, variando de acordo com cada caso:

  • Curativa: Quando o tumor é removido completamente em fase inicial, com margens livres de doença.
  • Paliativa: Para aliviar sintomas como compressão de órgãos, obstrução intestinal ou vias biliares, controle de dor ou sangramento. Em geral, a intenção não é curar, mas dar conforto e qualidade de vida.
  • Diagnóstica: Biópsias extensas guiadas por imagem para classificação precisa do tumor e planejamento de terapias.

Principais técnicas cirúrgicas e inovação

A evolução tecnológica tem proporcionado métodos menos invasivos e com recuperação cada vez mais rápida. Sempre que possível, recomendo técnicas minimamente invasivas, como laparoscopia ou cirurgia robótica. Nelas, as incisões são menores, há menos dor, menor risco de infecção e internações mais curtas.

Nos casos em que não há essa possibilidade, técnicas convencionais – abertas – ainda são muito seguras e dão bons resultados quando bem indicadas. Para quem deseja aprofundar nesse tema, um excelente artigo sobre os benefícios da cirurgia minimamente invasiva em oncologia mostra os avanços recentes.

Cuidados após a cirurgia oncológica

Já acompanhei muitas histórias de superação no pós-operatório. A maioria das pessoas se recupera rapidamente, especialmente quando submetidas às técnicas minimamente invasivas. Mas cada pessoa é única e o cuidado pós-cirúrgico deve ser adaptado à sua necessidade.

  • Alimentação balanceada, de fácil digestão, conforme orientação médica e nutricional
  • Hidratação adequada
  • Mobilidade precoce para evitar complicações tromboembólicas
  • Uso correto de medicações prescritas
  • Higiene criteriosa da ferida operatória
  • Respeito ao repouso e orientações quanto ao retorno de atividades

Divido a importância desses cuidados em cada consulta, pois eles fazem toda diferença para uma boa recuperação.

Indicações cirúrgicas em cânceres comuns

Dois dos cânceres mais frequentes no Brasil, que exemplificam bem a tomada de decisão cirúrgica, são o câncer de mama e o de próstata. O câncer de mama, maior causa de câncer em mulheres brasileiras, tem altas taxas de cura com cirurgia em fases iniciais (estatísticas de câncer de mama). Já o câncer de próstata, muito incidência em homens acima de 60 anos, também pode ser tratado com cirurgia, especialmente em estágios localizados (dados sobre câncer de próstata e idade de risco).

Destaco que cada tipo de tumor pode exigir abordagens cirúrgicas e planejamentos diferenciados. Expliquei mais sobre essas diferenças na comparação entre cirurgia oncológica e cirurgia geral.

Quando procurar um cirurgião oncológico?

Se você teve diagnóstico de câncer ou suspeita, minha orientação é buscar avaliação especializada o quanto antes. Mais informações sobre o preparo, expectativa e cuidados com a cirurgia, estão disponíveis em cirurgia do câncer: o que esperar.

Sempre aprecio quando as pessoas desejam conhecer a formação do profissional que irá cuidar de sua saúde. Para encontrar um cirurgião oncológico certificado, oriento consultar a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Eles mantêm registro de médicos especializados em cirurgia oncológica no Brasil, desde 1988, com formação voltada para diagnóstico, planejamento e execução do tratamento cirúrgico em câncer.

Câncer operável não é só uma questão de técnica, mas também de cuidado, sensibilidade e ciência.

A individualidade de cada paciente e o acesso a informações claras fazem toda diferença para o sucesso do tratamento. Por isso, converse sempre com um especialista, busque atualizações e não hesite em tirar dúvidas – a jornada para a cura pode começar pela informação correta.

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Dayara Sales Scheidt

Sobre o Autor

Dayara Sales Scheidt

Médica especialista em cirurgia oncológica, atuando no diagnóstico, tratamento cirúrgico e acompanhamento de pacientes com câncer. Seu trabalho envolve integração com equipes multidisciplinares, buscando sempre promover o melhor cuidado ao paciente em todas as fases do tratamento oncológico. Interessada em avanços médicos e novas abordagens terapêuticas, dedica-se ao contínuo aprimoramento de técnicas cirúrgicas e práticas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.

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