No mês de setembro, quando a campanha Setembro em Flor toma conta do Brasil, é impossível não pensar nas histórias de cuidado, descoberta e superação ligadas à saúde das mulheres. Os cânceres ginecológicos atingem milhares de brasileiras todos os anos e, apesar dos avanços da medicina, ainda carregam dúvidas, medos e muitos tabus. Mas, afinal, o que de fato devemos saber para prevenir essas doenças?
Se você acha que prevenção é só “fazer exame todo ano”, talvez este artigo traga surpresas. São pontos, relatos, números e até descobertas científicas que mudaram o cenário do diagnóstico nos últimos anos.
Prevenir é transformar desinformação em coragem e cuidado.
A seguir, organizei 7 fatos que considero indispensáveis quando o assunto é prevenção dos cânceres ginecológicos. Não é uma conversa engessada, é quase um convite para uma pausa e uma reflexão.
O panorama dos cânceres ginecológicos no Brasil
Antes de entrar nos fatos, vale contextualizar: mais de 30 mil brasileiras recebem o diagnóstico de algum câncer ginecológico anualmente. Esses tumores atingem útero, ovário e endométrio, especialmente. As cifras estão detalhadas em levantamento citado na campanha Setembro em Flor (mais de 30 mil brasileiras diagnosticadas).
Então, não é raro. Está ao nosso redor: vizinhas, tias, amigas, avós, ninguém está, de fato, imune. Por outro lado, nunca se falou tanto em prevenção, exames e vacinação.
1. Diagnóstico tardio ainda é frequente
Pode assustar, mas 79% dos tumores de colo uterino e vagina e 48% dos de endométrio são diagnosticados em fases avançadas (estágios II a IV). Isso não apenas dificulta o tratamento como aumenta o risco de sequelas. Muitos casos, segundo estudos sobre a realidade das pacientes brasileiras, demoram mais de 90 dias entre diagnóstico e início do tratamento (realidade das pacientes com tumores ginecológicos).
A verdade é que sintomas iniciais são silenciosos ou confundidos com situações do cotidiano feminino. Sabe aquele “é só um desconforto” ou “deve ser do ciclo”? Infelizmente, o corpo, muitas vezes, fala baixo.
2. Vacinação contra o HPV salva vidas
Dentre todos os tipos, o câncer de colo do útero se destaca pela prevenção prática. A vacinação contra o HPV previne pelo menos 95% dos casos. O esquema vacinal está disponível no SUS para meninas e meninos. E quanto mais jovens, melhor: a proteção ocorre antes do contato com o vírus, geralmente transmitido sexualmente (vacinação contra o papilomavírus humano).
Se alguém da família ainda acha que vacina é tabu, talvez números ajudem: em 2022, mais de 660 mil novos casos e 350 mil mortes por câncer de colo de útero foram registrados no mundo. E, pasme, 95% dos óbitos ocorreram em países de baixo e médio rendimento, onde a cobertura vacinal é menor.
Cada vacina aplicada é uma chance de mudar o futuro.
3. Sintomas são facilmente ignorados
Não é raro mulheres relatarem pequenos sangramentos fora da menstruação ou corrimento diferente e pensarem que são “normais”. Mas estes são justamente os sintomas iniciais do câncer de útero e colo. Outros sinais? Dor pélvica, alteração no ciclo, desconfortos ao urinar ou evacuar.
- Corrimento persistente ou com odor;
- Sangramento após relação;
- Dor abdominal baixa fora do período menstrual;
- Perda de peso sem explicação;
O ponto é: o corpo não fala bobagem. Pequenas alterações merecem atenção.
4. A importância dos exames regulares
O Papanicolau, que parece um exame simples de consultório, faz toda a diferença. Ele detecta lesões pré-cancerosas e ajuda a interromper a progressão para o câncer de colo uterino. A recomendação clássica é iniciar a realização a partir dos 25 anos ou logo após o início da vida sexual, repetindo periodicamente.
Já exames de imagem, como ultrassom pélvico e transvaginal, auxiliam na avaliação de outras estruturas como ovário, útero e endométrio. Mais importante que apenas realizar, é seguir os protocolos de seguimento, ajustando a frequência conforme idade e fatores de risco. Dúvidas podem ser esclarecidas acessando temas sobre seguimento oncológico.
5. Tabagismo como fator de risco silencioso
O cigarro não é apenas vilão em câncer de pulmão. No Brasil, cerca de 14 mil novos casos de câncer de pulmão surgem em mulheres todos os anos. E cerca de 85% desses casos estão diretamente ligados ao consumo de tabaco. O que nem todos sabem é que o tabagismo também favorece cânceres de colo do útero, vulva e vagina (informações sobre fatores de risco).
Parar de fumar reduz o risco não apenas de complicações respiratórias, mas também de câncer ginecológico. É difícil, sabemos, mas os resultados compensam.
Deixar o cigarro é abrir espaço para a saúde florescer.
6. Avanços no tratamento aumentam sobrevida
A medicina não para. Um exemplo? O estudo internacional ATHENA-MONO apontou que o medicamento rucaparibe, usado em carcinoma de ovário de alto grau, aumentou o tempo médio de sobrevida livre de progressão para 28,7 meses, comparado a 11,3 meses no grupo controle (ATHENA-MONO: novas terapias para câncer de ovário).
Biomarcadores, terapia-alvo, cirurgia robótica... A lista cresce. Fica evidente que, quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as chances de acessar inovações e resultados melhores.
7. Prevenção envolve rede de apoio e informação
Muitas mulheres só descobrem a importância da prevenção após ver alguém próximo passando pela doença. Por isso, informação é uma teia: quanto mais gente envolvida, mais segura ela fica. É possível encontrar discussões, depoimentos e dicas em plataformas que abordam diagnóstico precoce, oncologia, e o papel da multidisciplinaridade no cuidado oncológico.
Compartilhar pode soar pequeno, mas muitas vezes é a centelha que leva alguém ao consultório no tempo certo.
Flores em setembro: o que levamos daqui
Quando setembro chega com suas flores e mensagens de prevenção, é inevitável pensar em tudo o que está diante de nós. Não se trata de assustar ou inibir, mas de lembrar que autoconhecimento, vacina, exames e informação são ferramentas reais de proteção.
Certas histórias poderiam ter outro desfecho se houvesse mais escuta e acesso à saúde. Cada consulta marcada pode ser um gesto de amor-próprio, ou até, quem sabe, um novo começo.
Cuidar do próprio corpo é o primeiro passo para transformar o futuro.
Compartilhe, discuta, multiplique informações... E, se restou alguma dúvida, use nossa central de busca para saber mais e fortaleça sua rede de apoio.
Perguntas frequentes sobre prevenção dos cânceres ginecológicos
O que são cânceres ginecológicos?
Cânceres ginecológicos são todos os tumores malignos que acometem o aparelho reprodutor feminino, como útero, colo do útero, ovários, trompas, vulva e vagina. Cada um tem particularidades quanto a sintomas, prevenção e tratamento, mas todos dependem de atenção às mudanças no corpo e realização periódica de consultas e exames.
Quais os sintomas mais comuns?
Os sintomas variam de acordo com o órgão afetado, mas incluem:
- Sangramento vaginal anormal (fora do período menstrual ou após a menopausa)
- Corrimento persistente
- Dor pélvica ou abdominal
- Alterações no ciclo menstrual
- Dificuldade para urinar ou evacuar
- Perda de peso involuntária
Por serem sintomas que podem ter outras causas benignas, é comum serem ignorados.Como posso prevenir esses cânceres?
A prevenção passa por alguns pilares:
- Vacinação contra HPV (para câncer de colo do útero)
- Evitar o tabagismo
- Prática de sexo seguro
- Exercícios físicos e alimentação saudável
- Realização periódica do Papanicolau e outros exames de rotina
- Atenção a sintomas suspeitos
A orientação individual deve ser dada por ginecologistas ou médicos de referência.Quando devo procurar um ginecologista?
O ideal é estabelecer visitas regulares a partir do início da vida sexual, mas sintomas como sangramento anormal, corrimento diferente, dor pélvica persistente ou qualquer alteração no padrão do ciclo menstrual merecem avaliação rápida, independentemente da idade.
Exame preventivo realmente funciona?
Sim. Exames preventivos, como o Papanicolau, são capazes de identificar lesões pré-cancerosas no colo do útero, possibilitando tratamento antes de se tornarem câncer. Eles salvaram, e continuam salvando, milhares de vidas. Por isso, devem ser parte da rotina da saúde da mulher.