O câncer de mama é um desafio de saúde global, com impacto marcante na vida de milhares de famílias. No Brasil, as estimativas do INCA apontam para quase 74 mil novos diagnósticos por ano no triênio 2023-2025. Isso representa mais de 10% de todos os casos de câncer no país. E, embora se tenha avançado muito, a sensação de incerteza ao ouvir o diagnóstico ainda é frequente – tanto entre pacientes, quanto em quem acompanha.
O diagnóstico precoce pode mudar o rumo da história. Sim, isso faz diferença. A detecção em estágios iniciais aumenta as chances de cura, diminui a necessidade de tratamentos invasivos e potencializa a qualidade de vida. Por isso, informação – simples, leve, acessível – fica no centro desse combate.
Prevenção e cuidado andam juntos.
O que é o câncer de mama?
É uma doença causada pela multiplicação desordenada de células na mama, formando um tumor, que pode ser maligno e se espalhar para outras partes do corpo. Embora exista em homens, é muito mais frequente em mulheres e, segundo a publicação do INCA, é o tipo mais comum entre elas no Brasil.
Importância do diagnóstico precoce
A palavra-chave é rastreamento. O objetivo é descobrir o tumor antes mesmo que sintomas apareçam. E, para isso, a principal ferramenta segue sendo a mamografia. Recomenda-se seu início para mulheres entre 50 e 74 anos, a cada dois anos, mas é importante considerar fatores de risco individuais. Esse ano as diretrizes do Ministério da Saúde incluíram mulheres de 40 a 49 anos, sob solicitação e decisão compartilhada com o profissional de saúde, uma vez que há evidências de benefícios nesta faixa etária, além de sua crescente incidência, correspondendo a cerca de 23% dos casos, segundo a FEBRASGO.
O autoexame das mamas é válido, porém não substitui o exame clínico médico – serve como um ponto de atenção, aquele primeiro sinal de alerta.
Segundo um estudo na Revista Brasileira de Cancerologia, a pandemia de COVID‑19 reduziu drasticamente o número de mamografias, atrasando diagnósticos e dificultando a recuperação da rotina de exames. Vai aí um lembrete: manter o acompanhamento é, sim, prioridade.
Fatores de risco e formas de proteção
Nem sempre é possível evitar a doença, mas alguns hábitos fazem diferença. Entre os fatores de risco modificáveis, estão:
- Sedentarismo
- Alimentação rica em gorduras e ultraprocessados
- Consumo regular de álcool
- Tabagismo
- Sobrepeso, especialmente após a menopausa
Por outro lado, a prática de exercícios, alimentação equilibrada, controle do peso, evitar álcool e cigarro e a amamentação prolongada são aliados reais da proteção. A amamentação, inclusive, possui efeito protetor documentado em diversas pesquisas.
Sinais e sintomas: o que observar
Nem todo caroço é câncer, mas toda alteração suspeita merece avaliação. Os principais sinais que exigem atenção médica são:
- Nódulo fixo e geralmente indolor na mama
- Pele da mama avermelhada, retraída ou enrugada
- Alterações no mamilo ou saída de líquidos espontaneamente
- Caroços nas axilas ou pescoço
Percebeu algo diferente? Procure avaliação profissional.
O atraso no diagnóstico pode significar estágios mais avançados e menos opções terapêuticas. O acompanhamento regular segue sendo fundamental, mesmo sem queixas.
Do rastreamento ao tratamento: equipe multidisciplinar faz diferença
O papel do cirurgião oncológico vai muito além do centro cirúrgico. Ele faz parte de uma equipe que inclui oncologistas, radiologistas, patologistas e tantos outros profissionais, desde o diagnóstico até o acompanhamento. Avaliação clínica, indicação de exames, planejamento do tratamento, execução do procedimento cirúrgico, acompanhamento pós-operatório e definição de protocolos de seguimento – são etapas que exigem integração e atualização constante.
O planejamento é feito a partir do estágio do tumor, das condições de saúde da paciente e do objetivo da cirurgia. Entre as opções, estão desde cirurgias conservadoras e mastectomias até procedimentos de reconstrução mamária. E a escolha do tratamento não é isolada, mas sim resultado de discussões em equipe, focadas em personalizar o cuidado, como mostram conteúdos especializados em cirurgia oncológica.
O pós-operatório demanda vigilância. Gerenciar possíveis complicações e monitorar a recorrência fazem parte do trabalho, alinhando os cuidados ao tratamento clínico, radioterápico ou novos medicamentos.
Manter-se informado sobre avanços em rastreamento e terapias é possível por meio de portais de diagnóstico, prevenção, oncologia e tratamento oncológico.
Informação e conscientização: além do outubro rosa
Campanhas de conscientização, como o Outubro Rosa, têm ampliado o interesse e a busca por exames, reforçando sua relevância, porém parte desses exames acaba sendo feita fora da faixa etária mais indicada, o que pode comprometer o impacto real da ação. Um estudo sobre campanhas do Outubro Rosa aponta a necessidade de direcionar esforços para o público com maior risco, evitando desperdício de recursos e ampliando a efetividade das políticas de saúde.
A informação salva vidas. O cuidado precisa de permanência.
Conclusão
O enfrentamento do câncer de mama depende de múltiplas frentes: hábitos saudáveis, exames regulares, diagnóstico precoce, acesso a tratamentos modernos e, acima de tudo, informação de qualidade. E mesmo sabendo que há diferentes caminhos e desafios, manter-se atento ao próprio corpo, fazer escolhas cotidianas conscientes e confiar em equipes multidisciplinares ajudam a mudar estatísticas e a criar novas possibilidades para o futuro.
Perguntas frequentes
O que é o câncer de mama?
O câncer de mama é a formação de um tumor maligno resultante do crescimento desordenado das células mamárias, podendo invadir tecidos próximos ou se disseminar para outras partes do corpo. Apesar de raro em homens, acomete principalmente mulheres.
Quais são os principais sintomas?
Nódulo endurecido, geralmente indolor; alterações na pele da mama (vermelhidão, retração ou aspecto de casca de laranja), saída de secreção pelo mamilo, alterações na forma ou posição do mamilo e surgimento de caroços nas axilas são sintomas que pedem avaliação médica.
Como prevenir o câncer de mama?
Adotar um estilo de vida ativo, manter alimentação equilibrada e peso saudável, evitar álcool e cigarro e, para quem pode, amamentar por mais tempo. Embora não seja possível retirar todos os riscos, essas medidas ajudam a reduzir a probabilidade da doença.
Quais exames ajudam na detecção precoce?
A mamografia é o principal exame para detecção precoce em mulheres sem sintomas, especialmente dos 50 aos 74 anos. Autoexame e exame clínico das mamas também são importantes, mas não substituem a mamografia no rastreamento.
Onde buscar tratamento especializado?
O tratamento especializado deve ser realizado por equipes multidisciplinares que contam com cirurgiões oncológicos, oncologistas clínicos, radioterapeutas e outros profissionais, geralmente em hospitais e centros referenciados para oncologia. O acesso pode ser pelo SUS ou rede privada, conforme indicação médica.