Paciente jovem consultando com médico oncologista em ambiente clínico moderno
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Nas últimas décadas observa-se um aumento preocupante no número de casos de câncer entre adultos jovens (menos de 50 anos). Estudos conduzidos nos EUA indicam que a incidência de alguns tipos de câncer nessa faixa etária vem subindo, enquanto nas faixas mais velhas ela declina. 

Segundo relatos de especialistas como Y. Nancy You, a idade média dos diagnósticos caiu nos Estados Unidos de 72 para 67 anos nos últimos anos. E tem mais: não é só o câncer colorretal que está crescendo em pessoas jovens. Já acompanhei estudos mostrando que tipos como mama, útero, rim, entre vários outros, também aumentaram, especialmente em pessoas de 20 a 29 anos.
  • Quase 10% dos novos casos globais de câncer colorretal ocorrem em menores de 50 anos.
  • Em 27 de 50 países avaliados, notou-se crescimento desse tipo de câncer (American Cancer Society).
  • Até em faixas acima dos 50 anos, diagnósticos de vários desses cânceres estão subindo, o que me faz pensar que o fenômeno não limita-se apenas aos mais jovens.

Mudanças recentes: por que isso está acontecendo?

Parece ser um conjunto de fatores ligados a hábitos, ambiente e talvez até à história das últimas gerações, ou seja, multifatorial. Isso pode estar relacionado ao famoso “efeito coorte de nascimento”: pessoas nascidas a partir dos anos 1950 teriam sido expostas, ao longo da vida, a mudanças ambientais e de estilo que podem ter acelerado o risco de câncer. Teorias não faltam.

  • Obesidade e sedentarismo
  • Consumo excessivo de álcool
  • Exposição a microplásticos
  • Mudanças no microbioma (bactérias do corpo)

O Instituto Nacional de Câncer reforça esse conjunto de riscos.

Esses cânceres são diferentes biologicamente?

O Memorial Sloan Kettering aponta que quase 20% dos cânceres em menores de 35 envolvem mutações hereditárias como BRCA ou genes de Lynch, mas essas mutações explicam só uma fração dos casos.

Há discussões sobre mais agressividade em tumores dos jovens: localização mais frequente no cólon esquerdo e reto, tipos histológicos mais agressivos, crescimento dos óbitos por câncer colorretal, uterino e testicular entre menores de 50 anos, mesmo com a mortalidade total por câncer estável. Eu, pessoalmente, já observei quadros assim na prática.

Dificuldade no diagnóstico: sintomas ignorados e atrasos

Muitos jovens, seja por formação, rotina ou simples negação, adiam consultas. Não raro, acabam descobrindo a doença em fases mais avançadas. Fique atento a sintomas, como:

  • Sangramento retal
  • Dor abdominal persistente
  • Diarreia que não melhora
  • Anemia ferropriva inexplicada
Não ignore sinais incomuns.

Testes genéticos são fundamentais, principalmente para detectar síndrome de Lynch. Pacientes com essa mutação respondem bem à imunoterapia com medicamentos como nivolumabe e ipilimumabe. Por isso, nossa rotina clínica mudou: não se tira mais o câncer do radar só pela idade do paciente.

Rede de apoio emocional é insubstituível

Um diagnóstico de câncer nesta fase da vida é um processo emocionalmente desafiador. Eu sempre incentivo a busca por suporte, redes de apoio e informações confiáveis. A troca de experiências ajuda a encarar o tratamento e pensar em caminhos.

Conclusão

Na minha visão, o aumento de câncer em jovens é real, preocupante e envolve muitos fatores difíceis de dissociar. Precisamos prestar atenção nos sintomas, buscar diagnóstico precoce, valorizar testes genéticos e oferecer suporte. Cada caso traz desafios únicos, mas juntos é possível enfrentar o caminho do tratamento, sem nunca ignorar a humanidade por trás de cada história.

Perguntas frequentes

O que é câncer em jovens?

Câncer em jovens refere-se a doenças malignas diagnosticadas em pessoas, geralmente, com menos de 50 anos. Os tipos mais comuns são colorretal, de mama, útero, rim e testículo.

Quais são os sintomas mais comuns?

Entre os sintomas frequentes estão: sangramento retal, dor abdominal, diarreia persistente, perda de peso sem explicação e anemia ferropriva. É fundamental observar qualquer alteração incomum e buscar avaliação médica.

Como identificar câncer em jovens?

A identificação depende da avaliação médica e, muitas vezes, de exames de imagem, laboratoriais e biópsias. Fique atento a sintomas persistentes e procure auxílio profissional prontamente.

Quais exames devo fazer para prevenir?

Não existe um exame único para todos. Para quem tem fatores de risco (história familiar, síndrome de Lynch), pode ser indicada colonoscopia precoce e testes genéticos. Para outros tipos, exames variam conforme sintomas e orientação médica.

Existe tratamento específico para jovens?

Os tratamentos são individualizados, considerando idade, tipo de tumor, estágio e fatores genéticos. Muitas vezes, associa-se cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, buscando sempre preservar a qualidade de vida e o futuro do paciente jovem.

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Dayara Sales Scheidt

Sobre o Autor

Dayara Sales Scheidt

Médica especialista em cirurgia oncológica, atuando no diagnóstico, tratamento cirúrgico e acompanhamento de pacientes com câncer. Seu trabalho envolve integração com equipes multidisciplinares, buscando sempre promover o melhor cuidado ao paciente em todas as fases do tratamento oncológico. Interessada em avanços médicos e novas abordagens terapêuticas, dedica-se ao contínuo aprimoramento de técnicas cirúrgicas e práticas para melhorar a qualidade de vida dos pacientes oncológicos.

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